EDITORIAL: Em tempos de crise nas prefeituras, como fazer o carnaval?

Sabemos que o carnaval é considerado
a maior festa popular do mundo. E no Brasil, com certeza ela acontece de forma
bem mais intensa apesar de ser realizada de forma oficial em 4 dias. Vale salientar
de antemão que o nosso objetivo neste editorial não é o de desqualificar o
carnaval, quer seja por questões religiosas ou outras quaisquer, mais sim de
mostrar a realidade dos fatos através de argumentos consistentes.

Vamos contextualizar a
situação para o nosso estado do Rio Grande do Norte, e, por conseguinte
delimitar para a cena local. Há muito meses que as prefeituras potiguares vêm
sofrendo com quedas constantes e substanciais no Fundo de Participação dos Municípios
(FPM), que, para muitas cidades do interior do RN, como é o caso de Angicos se mostra
com a maior forma de obtenção de recursos.

A própria entidade
representativa dos municípios potiguares, a FEMURN, além do Ministério Público
Estadual estão aconselhando os prefeitos potiguares a conter gastos, promover
demissões de cargos comissionados, e, principalmente priorizar investimentos
com os recursos que já são tão escassos. Ai, aproveitamos essa recomendação da
federação dos municípios potiguares para interrogarmos aos nossos leitores,
saúde, educação, pagamento de servidores efetivos são ou não prioridades para
uma cidade?

Então imaginemos cotas de
FPM entrando praticamente zeradas nos repasses feitos pelo governo federal nos
dias 10,20 e 30 de cada mês onde dele e somente dele o município do porte de
Angicos têm que fazer o compartilhamento para a secretaria de saúde para mantimento
de serviços básicos para a população, para o fundo de desenvolvimento do ensino
básico (FUNDEB) também para arcar com despesas na área de educação e pagamento
dos salários dos nossos educadores, como também para obrigações essenciais para
o município como o pagamento do INSS e o repasse para as câmaras municipais que
acontece todo dia 20 de cada mês.

Depois de todo esse retalhamento
dos recursos do FPM, o que sobrar aí sim poderá ser utilizado para outras
finalidades pelo gestor municipal. Mas, ai meus amigos é onde está o x da
questão, poderia até sobrar recursos e quem sabe realizar um bom carnaval para
os foliões, mais se não sobra nada devido, repetimos a diminuição constante que
o governo federal vem impondo aos municípios. E aí? Como fazer o carnaval?

Mesmo gostando muito da
festa de momo, e, que sabemos que a maioria da população gosta dos 4 dias de
folia, seria hora de agirmos com a razão ao invés de com o coração.

Quando observamos cidades
como Macau que realizara em anos anteriores o maior carnaval do estado, onde a
arrecadação do FPM naquela cidade é praticamente “uma gota no oceano”, devido o
grande poder de arrecadação que a cidade salineira tem com a produção de petróleo
e de sal, este ano não será realizado pela gestão municipal, e outro exemplo é
a cidade de Mossoró que é o maior produtor de petróleo em terra do Brasil cujo seu
prefeito é o presidente da federação dos municípios, este, já declarou que não disponibilizará
recursos para a realização do carnaval. Mediante estes fatos, nós paramos e
refletimos: é má vontade por parte dos gestores municipais? Ou é senso de
responsabilidade para com os recursos públicos?

Temos uma facilidade imensa
de taxar a classe politica de corruptos e ladrões quando percebemos que estes
estão de fato surrupiando os recursos públicos e não estamos tirando a razão
das pessoas não, é de indignar mesmo a roubalheira que se sucede por alguns
membros da classe politica brasileira. 

No entanto, quando estes agem com
responsabilidade como é o caso de não querer no caso dos prefeitos dos pequenos
municípios realizarem despesas com festas como o carnaval em detrimento de
outras prioridades os criticamos e os escrachamos.  
A nossa opinião é que não
devemos nesse momento agir usando como diz o adágio popular com “dois pesos e
duas medidas” e sim, agirmos com prudência e racionalidade.
Portanto, ao finalizarmos
este editorial, repetimos que respeitamos e vemos com bons olhos o carnaval,
pois as pessoas também necessitam de lazer para viver bem, mais diante das
quedas bruscas de arrecadação de recursos advindos do governo federal e da necessidade
de com pouco dinheiro os prefeitos devem escolher prioridades para os
investimentos que os municípios pequenos como Angicos dispõem como para a
saúde, educação, assistência social, entre outros, nesse momento, fica a indagação: como fazer o carnaval? 
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